Impermeabilização de Caixa d’Água Predial de Concreto Armado:
- Cristiano Goulart Duarte
- há 1 hora
- 4 min de leitura
Caixa d’água de concreto armado é uma estrutura que não perdoa erro. Quando dá problema, aparece rápido: vazamento, mancha, eflorescência, umidade no lado externo e, com o tempo, risco de corrosão da armadura.
Por isso, aqui vai uma verdade de obra: impermeabilização não começa no balde do produto. Começa no projeto estrutural e na qualidade do concreto. O sistema impermeabilizante entra como uma proteção essencial, mas ele não faz milagre se a estrutura nascer com fissura, bicheira e detalhe mal resolvido.
Neste post eu vou mostrar o passo a passo completo, incluindo o método que eu uso com frequência: 2 demãos de Viaplus 5000 + 3 demãos de Viaplus 1000, sempre em demãos cruzadas.

A impermeabilização já começa no projeto estrutural da caixa d’água
Antes de falar de produto, o projeto precisa colaborar. Caixa d’água trabalha com pressão hidrostática, variação de nível e ciclos de enchimento/esvaziamento. Se o dimensionamento e os detalhes não estiverem bem pensados, a estrutura fissura e vira caminho de água.
O que eu considero fundamental no projeto:
Controle de fissuração com armaduras bem distribuídas (não só “armação pra resistência”)
Detalhes bem resolvidos nos encontros parede/laje e parede/parede
Espessuras coerentes (economia demais aqui vira manutenção depois)
Detalhamento correto de juntas (quando houver) e pontos de concentração de tensão
Previsão bem definida de passagens de tubulação (nada de improviso em obra)
Concreto bem executado: onde a caixa ganha ou perde o jogo
A melhor impermeabilização do mundo sofre se o concreto vier com problema. Os “vilões” mais comuns em caixa d’água são:
Bicheira / ninho de brita
Junta fria mal tratada
Vibração insuficiente (ou segregação por vibração errada)
Cura mal feita
Tubulações e inserts improvisados na última hora
O que eu cobro na execução:
Concretagem com logística pra evitar parada e emenda ruim
Vibração bem feita, com cuidado em cantos e regiões congestionadas de armadura
Tratamento de junta de concretagem quando inevitável (preparo e limpeza)
Cura úmida bem feita, principalmente em ambientes quentes/ventosos
Preparação da base: 50% do serviço acontece antes da primeira demão
Não existe “produto que cola no pó”. Se a base estiver ruim, o sistema descola ou falha em ponto crítico.
Checklist de preparação:
Regularização (superfície firme, sem buracos, sem nata fraca)
Tratamento de bicheiras e falhas: abrir, limpar e recompor com argamassa adequada
Execução de meia-cana nos cantos (parede/laje e parede/parede)
Tratamento das passagens de tubulação (vedação bem feita, sem gambiarra)
Limpeza geral: sem poeira, sem óleo desmoldante, sem material solto
Pontos críticos que mais dão vazamento (e precisam de atenção extra)
Cantos e encontros
Canto vivo é inimigo da impermeabilização. A meia-cana reduz concentração de tensão e melhora a continuidade do revestimento.
Juntas de concretagem
Junta é “linha de fraqueza”. Se existir junta fria, ela precisa ser tratada como ponto especial (preparo caprichado e reforço do sistema).
Passagens de tubulação, ralos e extravasor
Quase todo vazamento “chato” aparece perto de tubo. Aqui não tem segredo: detalhe bem feito, vedação correta e execução sem improviso.
Trincas
Antes de sair aplicando produto, precisa entender: é trinca passiva (estabilizada) ou ativa (movimento)?Trinca ativa costuma pedir abordagem mais cuidadosa (reforço e, às vezes, sistema mais flexível).
Sistema que eu uso na prática: Viaplus 5000 + Viaplus 1000 (demãos cruzadas)
Aqui está o método do jeito que eu aplico em obra, com lógica simples: camada base cimentícia + camadas de acabamento/fechamento, sempre garantindo cobertura uniforme.
Passo a passo de aplicação
Conferir base preparada
Meia-cana pronta
Reparos executados e curados
Superfície firme e limpa
Umedecer a base (quando aplicável)
A base deve estar levemente úmida, sem encharcar
O objetivo é evitar que o substrato “puxe” água do produto rápido demais
Aplicar 2 demãos de Viaplus 5000
1ª demão em um sentido (ex.: horizontal)
2ª demão cruzada (ex.: vertical)
Respeitar o tempo entre demãos conforme recomendação do fabricante
Aplicar 3 demãos de Viaplus 1000
1ª demão em um sentido
2ª demão cruzada
3ª demão cruzada em relação à anterior (alternando sentido)
Respeitar tempo de cura/intervalo entre demãos
Cura e proteção
Proteger a área de sol forte, vento e poeira durante a cura
Evitar trânsito e impactos antes do tempo
Por que eu faço demãos cruzadas?
Porque aumenta a chance de fechar micro-poros e reduz falhas de “trilha” de aplicação. Na prática, é um jeito simples de diminuir erro humano.
Teste de estanqueidade: sem teste, não tem entrega
Depois da cura do sistema, eu fecho o serviço com teste:
Encher a caixa (quando possível, por etapas)
Marcar o nível e acompanhar por 72 horas (ou conforme padrão da obra/contrato)
Inspecionar o lado externo: cantos, juntas, passagens e região de base
Se aparecer vazamento:
Não é sair aplicando mais produto por cima sem critério
Primeiro localiza o ponto e entende a causa (tubo, junta, trinca, falha de base)
Outros processos/sistemas que também podem ser usados (dependendo do caso)
Além do cimentício, existem outras soluções que podem ser especificadas:
Membrana de poliuretano (PU) ou poliureia
Boa elasticidade e desempenho
Exige mão de obra especializada e preparo de base impecável
Revestimento epóxi (quando aplicável)
Usado quando se busca acabamento interno específico e facilidade de limpeza
Precisa especificação correta para contato com água e aplicação bem controlada
Cristalizantes (aditivo/argamassa cristalizante)
Ajudam a reduzir permeabilidade do concreto
Podem ser complemento, mas não substituem correção de fissura e detalhe mal feito
Checklist final de obra (pra você não esquecer nada)
Projeto com detalhes bem resolvidos (juntas, cantos, passagens)
Concreto bem executado e curado (sem bicheira e sem junta mal feita)
Base regularizada, limpa e com meia-cana pronta
Passagens de tubulação tratadas e vedadas
2 demãos Viaplus 5000 (cruzadas)
3 demãos Viaplus 1000 (cruzadas)
Cura respeitada e área protegida
Teste de estanqueidade executado e registrado
Conclusão
Impermeabilizar caixa d’água é um serviço de detalhe. O método que utilizo de 2 demãos de Viaplus 5000 + 3 demãos de Viaplus 1000 em demãos cruzadas funciona muito bem quando a estrutura está correta e os pontos críticos são tratados com seriedade.
No fim, o que garante caixa seca é: projeto + concreto + preparo + aplicação sem pressa + teste.







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