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Impermeabilização de Caixa d’Água Predial de Concreto Armado:

Caixa d’água de concreto armado é uma estrutura que não perdoa erro. Quando dá problema, aparece rápido: vazamento, mancha, eflorescência, umidade no lado externo e, com o tempo, risco de corrosão da armadura.

Por isso, aqui vai uma verdade de obra: impermeabilização não começa no balde do produto. Começa no projeto estrutural e na qualidade do concreto. O sistema impermeabilizante entra como uma proteção essencial, mas ele não faz milagre se a estrutura nascer com fissura, bicheira e detalhe mal resolvido.

Neste post eu vou mostrar o passo a passo completo, incluindo o método que eu uso com frequência: 2 demãos de Viaplus 5000 + 3 demãos de Viaplus 1000, sempre em demãos cruzadas.



A impermeabilização já começa no projeto estrutural da caixa d’água

Antes de falar de produto, o projeto precisa colaborar. Caixa d’água trabalha com pressão hidrostática, variação de nível e ciclos de enchimento/esvaziamento. Se o dimensionamento e os detalhes não estiverem bem pensados, a estrutura fissura e vira caminho de água.

O que eu considero fundamental no projeto:

  • Controle de fissuração com armaduras bem distribuídas (não só “armação pra resistência”)

  • Detalhes bem resolvidos nos encontros parede/laje e parede/parede

  • Espessuras coerentes (economia demais aqui vira manutenção depois)


  • Detalhamento correto de juntas (quando houver) e pontos de concentração de tensão

  • Previsão bem definida de passagens de tubulação (nada de improviso em obra)


Concreto bem executado: onde a caixa ganha ou perde o jogo


A melhor impermeabilização do mundo sofre se o concreto vier com problema. Os “vilões” mais comuns em caixa d’água são:

  • Bicheira / ninho de brita

  • Junta fria mal tratada

  • Vibração insuficiente (ou segregação por vibração errada)

  • Cura mal feita

  • Tubulações e inserts improvisados na última hora

O que eu cobro na execução:

  • Concretagem com logística pra evitar parada e emenda ruim

  • Vibração bem feita, com cuidado em cantos e regiões congestionadas de armadura

  • Tratamento de junta de concretagem quando inevitável (preparo e limpeza)

  • Cura úmida bem feita, principalmente em ambientes quentes/ventosos


Preparação da base: 50% do serviço acontece antes da primeira demão

Não existe “produto que cola no pó”. Se a base estiver ruim, o sistema descola ou falha em ponto crítico.

Checklist de preparação:

  1. Regularização (superfície firme, sem buracos, sem nata fraca)

  2. Tratamento de bicheiras e falhas: abrir, limpar e recompor com argamassa adequada

  3. Execução de meia-cana nos cantos (parede/laje e parede/parede)

  4. Tratamento das passagens de tubulação (vedação bem feita, sem gambiarra)

  5. Limpeza geral: sem poeira, sem óleo desmoldante, sem material solto


Pontos críticos que mais dão vazamento (e precisam de atenção extra)


Cantos e encontros

Canto vivo é inimigo da impermeabilização. A meia-cana reduz concentração de tensão e melhora a continuidade do revestimento.

Juntas de concretagem

Junta é “linha de fraqueza”. Se existir junta fria, ela precisa ser tratada como ponto especial (preparo caprichado e reforço do sistema).

Passagens de tubulação, ralos e extravasor

Quase todo vazamento “chato” aparece perto de tubo. Aqui não tem segredo: detalhe bem feito, vedação correta e execução sem improviso.

Trincas

Antes de sair aplicando produto, precisa entender: é trinca passiva (estabilizada) ou ativa (movimento)?Trinca ativa costuma pedir abordagem mais cuidadosa (reforço e, às vezes, sistema mais flexível).


Sistema que eu uso na prática: Viaplus 5000 + Viaplus 1000 (demãos cruzadas)

Aqui está o método do jeito que eu aplico em obra, com lógica simples: camada base cimentícia + camadas de acabamento/fechamento, sempre garantindo cobertura uniforme.

Passo a passo de aplicação

  1. Conferir base preparada

  2. Meia-cana pronta

  3. Reparos executados e curados

  4. Superfície firme e limpa

  5. Umedecer a base (quando aplicável)

  6. A base deve estar levemente úmida, sem encharcar

  7. O objetivo é evitar que o substrato “puxe” água do produto rápido demais

  8. Aplicar 2 demãos de Viaplus 5000

  9. 1ª demão em um sentido (ex.: horizontal)

  10. 2ª demão cruzada (ex.: vertical)

  11. Respeitar o tempo entre demãos conforme recomendação do fabricante

  12. Aplicar 3 demãos de Viaplus 1000

  13. 1ª demão em um sentido

  14. 2ª demão cruzada

  15. 3ª demão cruzada em relação à anterior (alternando sentido)

  16. Respeitar tempo de cura/intervalo entre demãos

  17. Cura e proteção

  18. Proteger a área de sol forte, vento e poeira durante a cura

  19. Evitar trânsito e impactos antes do tempo

Por que eu faço demãos cruzadas?

Porque aumenta a chance de fechar micro-poros e reduz falhas de “trilha” de aplicação. Na prática, é um jeito simples de diminuir erro humano.


Teste de estanqueidade: sem teste, não tem entrega

Depois da cura do sistema, eu fecho o serviço com teste:

  1. Encher a caixa (quando possível, por etapas)

  2. Marcar o nível e acompanhar por 72 horas (ou conforme padrão da obra/contrato)

  3. Inspecionar o lado externo: cantos, juntas, passagens e região de base

Se aparecer vazamento:

  • Não é sair aplicando mais produto por cima sem critério

  • Primeiro localiza o ponto e entende a causa (tubo, junta, trinca, falha de base)


Outros processos/sistemas que também podem ser usados (dependendo do caso)

Além do cimentício, existem outras soluções que podem ser especificadas:

Membrana de poliuretano (PU) ou poliureia

  • Boa elasticidade e desempenho

  • Exige mão de obra especializada e preparo de base impecável

Revestimento epóxi (quando aplicável)

  • Usado quando se busca acabamento interno específico e facilidade de limpeza

  • Precisa especificação correta para contato com água e aplicação bem controlada

Cristalizantes (aditivo/argamassa cristalizante)

  • Ajudam a reduzir permeabilidade do concreto

  • Podem ser complemento, mas não substituem correção de fissura e detalhe mal feito


Checklist final de obra (pra você não esquecer nada)

  •  Projeto com detalhes bem resolvidos (juntas, cantos, passagens)

  •  Concreto bem executado e curado (sem bicheira e sem junta mal feita)

  •  Base regularizada, limpa e com meia-cana pronta

  •  Passagens de tubulação tratadas e vedadas

  •  2 demãos Viaplus 5000 (cruzadas)

  •  3 demãos Viaplus 1000 (cruzadas)

  •  Cura respeitada e área protegida

  •  Teste de estanqueidade executado e registrado


Conclusão

Impermeabilizar caixa d’água é um serviço de detalhe. O método que utilizo de 2 demãos de Viaplus 5000 + 3 demãos de Viaplus 1000 em demãos cruzadas funciona muito bem quando a estrutura está correta e os pontos críticos são tratados com seriedade.

No fim, o que garante caixa seca é: projeto + concreto + preparo + aplicação sem pressa + teste.


 
 
 

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