top of page

Execução de estaca hélice contínua: passo a passo de obra


A hélice contínua monitorada (CFA) é uma das fundações mais usadas em obra urbana porque entrega produtividade, pouca vibração e costuma funcionar muito bem em solos comuns do Brasil. Mas ela só “vira fundação boa” se a execução for bem controlada. Se deixar correr solto, é a receita clássica pra estaca com pescoço, contaminação, falha de concretagem e dor de cabeça depois.

A seguir, vou te passar um roteiro prático de execução, o que eu cobro no canteiro e os erros que mais dão ruim.






Quando a hélice contínua costuma ser uma boa escolha

No dia a dia, ela é ótima quando você tem:

  • Obra em área urbana (precisa de baixa vibração e menos barulho que bate-estaca)

  • Solos de baixa a média resistência em boa parte do perfil

  • Canteiro com acesso pra perfuratriz + bomba de concreto

  • Projeto com estacas de diâmetro e profundidade compatíveis com o equipamento disponível

E atenção: não é “cura pra tudo”. Solo muito pedregulhoso, matacão, camada muito dura rasa, ou presença de obstruções pode travar produção e gerar desvio.


Pré-execução: o que eu confiro antes de perfurar

1) Conferência de projeto e locação

  • Planta de estacas e cotas de arrasamento

  • Diâmetro, comprimento e armadura (tipo, bitola, comprimento da gaiola)

  • Tolerâncias de locação e afastamentos de divisa/estruturas vizinhas

2) Logística e insumos

  • Concreto com slump e traço definidos para bombeamento (normalmente com boa trabalhabilidade)

  • Bomba, mangotes, reserva de concreto e sequência de concretagem planejada

  • Área de circulação: caminhão betoneira não pode “travar” a perfuratriz

3) Monitoramento ligado e calibração

Hélice contínua “moderna” tem monitoramento (profundidade, torque, rotação, velocidade de retirada, pressão/vazão do concreto).Se o monitoramento não estiver confiável, você perde o principal controle do método.



Execução na prática: o passo a passo que vale

1) Perfuração

A perfuratriz desce a hélice até a cota de ponta.

O que eu observo:

  • Verticalidade (qualquer inclinação vira estaca fora do lugar e pode dar atrito/encostamento em bloco/viga)

  • Torque e comportamento do solo (mudança de camada costuma aparecer no “esforço” da máquina)

  • Se há perda de material ou “desmoronamento” (sinal de solo muito instável / NA / areia muito fofa)

📌 Dica de campo: se a hélice “cai” fácil demais e o furo parece “abrir”, liga alerta — depois isso cobra na concretagem.


2) Concretagem na retirada (o coração do método)

Chegou na profundidade, começa a etapa crítica: bombeia concreto pelo tubo central enquanto a hélice é retirada.

Regras de ouro:

  • Concreto sempre positivo: você não pode “puxar hélice no seco”.

  • A retirada deve ser contínua e controlada, sem puxões e sem pausas longas.

  • Manter pressão/vazão suficientes para preencher o vazio deixado pela hélice e evitar “pescoço”.

O que dá problema:

  • Puxou rápido demais → “afinou” a estaca (pescoço).

  • Parou muito tempo → concreto pega, forma descontinuidade.

  • Pressão baixa → entra solo + contamina o concreto.

📌 Na prática: o operador bom “conversa” com a bomba. Se a bomba não acompanha, você para a retirada (com cuidado) e ajusta, não segue no automático.


3) Controle de volume: o check mais simples e mais ignorado

Você precisa comparar:

  • Volume teórico (π x r² x L)com

  • Volume real bombeado na estaca

Volume real menor que o teórico = suspeita forte de falha (pescoço, vazamento, perda de concreto, etc.).Volume real muito maior = possível alargamento, solo cedendo, consumo anormal (também merece análise).



4) Colocação da armadura (gaiola)

Depois da concretagem, entra a gaiola.

Pontos críticos:

  • A gaiola tem que entrar no tempo certo (antes do concreto perder trabalhabilidade)

  • Precisa entrar no prumo e sem “enroscar” (se enroscar, você deforma e perde cobrimento)

  • Conferir comprimento de gaiola conforme projeto (muita obra erra isso por improviso)



5) Arrasamento e proteção da cabeça

  • Após cura inicial, faz arrasamento na cota de projeto

  • Protege topo contra contaminação (terra, água, trânsito de obra)

  • Identifica estaca executada e registra



Ensaios e controles que eu considero indispensáveis

  • Relatório de execução/monitoramento por estaca (profundidade, torque, rotação, retirada, pressão, volume)

  • Rastreio do concreto (nota, traço, hora de chegada, slump)

  • Se especificado: PIT/Integrity Test e/ou prova de carga

Mesmo quando o contrato não pede, eu gosto de pelo menos ter PIT em amostragem, dependendo da criticidade.


Erros clássicos que detonam a hélice contínua

  1. Retirar hélice sem concreto suficiente

  2. Concreto “duro” demais (entope, não preenche, cria falha)

  3. Paradas longas no meio da retirada

  4. Locação mal feita (desloca tudo, dá briga com bloco depois)

  5. Armadura curta ou colocada tarde demais

  6. Não bater volume teórico x real (a obra fica cega)


Checklist de obra (pra imprimir e usar)

  •  Projeto conferido: diâmetro, comprimento, arrasamento, armação

  •  Locação e gabarito validados

  •  Concreto conforme especificação e slump controlado

  •  Monitoramento calibrado e registrando

  •  Concretagem contínua na retirada, sem “puxar no seco”

  •  Volume real registrado e comparado ao teórico

  •  Gaiola inserida no tempo e no prumo

  •  Cabeça protegida e identificação feita

  •  Relatório por estaca arquivado

 
 
 

Comentários


© 2023 by Train of Thoughts. Proudly created with Wix.com

bottom of page