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Sondagem SPT na prática: como ler o relatório

CD
Engenheiro civil · 10 de fevereiro de 2026 · 3 min de leitura
Sondagem SPT na prática: como ler o relatório

Se tem uma etapa “barata” perto do tamanho do problema que ela evita, é a sondagem SPT. É ela que diz o que tem embaixo do terreno: areia fofa, argila mole, camada orgânica, nível d’água alto, e quando o solo começa a “segurar” fundação de verdade.

O que é a sondagem SPT (sem enrolação)

SPT é o Standard Penetration Test. No canteiro: a equipe perfura até uma cota, coloca um amostrador padrão e crava com um martelo de 65 kg caindo 75 cm, contando quantos golpes para penetrar 30 cm (cravam-se 45 cm e usam-se os últimos 30 para o N). Quanto maior o N (NSPT), mais resistente/compacto o solo tende a ser.

Pra que serve na obra

Escolher o tipo de fundação com segurança (sapata, radier, estaca), estimar capacidade de carga e risco de recalque, identificar camada fraca, ver o nível d’água (fundamental para escavação) e evitar surpresa (cavou e virou lama, ou bateu em material muito duro cedo).

Como ler um perfil de sondagem (a ordem que recomendo)

  1. Descrição do material por camada: o raio-x do subsolo — areia, silte, argila, pedregulho, matéria orgânica.
  2. NSPT por profundidade: a coluna de golpes conta a história. N baixo = solo fofo/mole (atenção ao recalque); N subindo = solo ficando competente; N muito alto / “nega” (ex.: 48/15) = recusa, material muito duro.
  3. Nível d’água (NA): muda totalmente o jogo de escavação e fundação.

Exemplo real: calculando o 1º NSPT do furo SP-01

Os golpes vêm em três trechos de 15 cm (total 45). No primeiro ensaio: 1º trecho = 2 golpes, 2º = 1, 3º = 1. O N é a soma dos dois últimos trechos: N = 1 + 1 = 2. N = 2 é muito baixo → solo bem fofo nessa profundidade, acendendo alerta de recalque em fundação rasa. Mais embaixo, o N sobe forte (material competente, alteração de rocha).

Esse padrão “N baixo em cima e alto embaixo” é comum em região litorânea/baixada: camada superficial fofa/orgânica e, abaixo, material travado. Na prática: não dá pra confiar na camada de cima para sapata padrão sem estudo — define-se a cota de apoio em camada confiável, usa-se radier que distribui, ou vai-se para estaca. Quem bate o martelo é a sondagem, mas quem assina a decisão é o projeto de fundações.

Erros comuns com SPT

“N baixo, mas vamos compactar e pronto” (compactação não transforma camada orgânica em solo bom); “sapata em qualquer lugar porque sempre deu certo” (até o recalque diferencial trincar a fachada); e ignorar o nível d’água (muda escavação, estabilidade de vala, custo e fundação).

Checklist do relatório

Quantos furos e onde (croqui) · profundidade final de cada furo · camadas descritas · NSPT por profundidade · nível d’água (inicial e estabilizado) · indicação de impenetrável/recusa e profundidade.

Da teoria à prática

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CD
Cristiano Goulart Duarte
Engenheiro civil · Construmad e JLM · +100 mil m² de obra

Escreve sobre o dia a dia real do canteiro. Autor do livro “5 Passaportes e Um Destino” e criador do app de gestão de obra ALVA OBRAS.